Vitória sobre o algorítimo

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A rolagem infinita

Todos nós, nesta era pós celulares inteligente, estamos sujeitos ao fenômeno conhecido como downscrolling, ou, para alguns, doomscrolling. Que nada mais que é o indivíduo que se perde em conteúdos infinitos, deslizando o dedo ou a rodinha do mouse para baixo sem fim.

Nas palavras de Lesley Henton, do Texas A&M University1:

“Doomscrolling, ou o ato de percorrer obsessivamente as mídias sociais com foco em informações negativas ou angustiantes, é algo que está crescendo cada vez mais comum entre todas as faixas etárias, mas particularmente pessoas entre 18 e 35 anos em todo o mundo”, disse Hughes, cuja pesquisa se concentra na interseção do comportamento organizacional e da psicologia da saúde ocupacional.

(Tradução livre)

Essa compulsão, conforme dito, é exemplificada pela constante busca de sensações. Ainda que possamos diferir quanto ao grau de busca, todos nós somos constantemente arrastados na busca por estímulos. “A sensibilidade à busca de sensações”2, como entende Zuckerman, explica que as pessoas diferem na busca pro sensações, o que agrada um pode não agradar o outro, a grosso modo.

Nesse sentido, A constante busca pela domipamina é só suficientemente tolerável quando não é satisfeita por inteiro.

E é aí que está o ponto principal dos agorítimos. Eles te fisgam justamente pelo desejo que você de livre vontade os fornece. Você que clica em “curtir” em determinadas postagens, comenta, compartilha… Tudo isso alimenta o monstro que, na realidade, está te destruindo. Nunca foi sobre seu bem-estar, mas sobre o quão engajado (quanto tempo desperdiçado) está nas redes sociais, e o quanto de receita só a sua atenção gera para os anunciantes e parceiros (que lucram com seus dados).

Hoje, só sendo uma espécie de asceta digital para se livrar dessa armadilha doentia. Quando disserem: “corram para as montanhas”, é melhor arrumar a mochila e se preparar para a subida.

A vitória vem com a mudança de direção

Nisso, é possível enfrentar (e vencer!) os algorítimos apenas não dando corda para os mesmos, não alimentando-os, isto é, fazendo-os definhar de fome.

Além dos conhecidos adblocks, bloqueadores de anúncios. Temos ferramentas que permitem o acesso às redes de forma segura, como VPN’s e servidores de terceiros.

Para adblocks, recomendo 2, os quais, basicamente, bloqueiam rastreadores, anúncios e telemetria (uso dos seus dados para fins comerciais/analíticos):

Para Vpn’s, as quais não há necessidade de discorrer sobre nesse artigo, indico ProtonVPN, visto que é uma VPN realmente gratuíta, que é custeada pelos próprios assinantes. Ou seja, o serviço que você usa é pago pela pessoa que comprou o premium. Claro que não dá pra exatamente escolher o servidor, mas para ficar protegido, isso é de menos.

Por fim, há ferramentas que redirecionam a rede para um servidor amigável, que chamam de frontend. Exemplificando, eu gosto de acessar o pinterest, porém o doomscrolling é brutal e destrói meu tempo livre. Para resolver essa questão, eu precisava contornar a arquitetura do pinterest para torná-lo de uso amigável. Então venho o Libredirect resolvendo todos os problemas.

Em vez de entrar diretamente no sítio do pinterest, o qual é cheio de anúncio por padrão e abriga o dragão do vazio, denominado Doomscrolling, fazemos o seguinte: não entramos na caverna! Nós traremos o dragão para fora e lutaremos a céu aberto! Ao entrar no pinterest com o Libredirect como um mago aliado, ele invoca as forças da natureza e transforma o pinterest -> em Binternet.

Já de cara se percebe a interface amigável, não tem algorítimo te dando boas-vindas! Você precisa usar a caxola e buscar ativamente o que quer!

Sabe qual é o maior inimigo da rodinha do mal ? A próxima página. Literalmente. Se você precisar ter de virar a página, ou clicar em próxima página, você está ativamente procurando mais conteúdo, e não igual uma planta apenas realizando fotossíntese. Só esse pequeno detalhe já elimina em muito o vício que assola a todos nós nesses tempos pós-modernos.

  1. “Doomscrolling, or the act of obsessively scrolling through social media with a focus on negative or otherwise distressing information, is something that is growing more and more common among all age groups, but particularly folks between the ages of 18 and 35 across the world,” said Hughes, whose research focuses on the intersection of organizational behavior and occupational health psychology. (Henton, Lesley. Doomscrolling at work wastes time, but the real cost is what happens after. https://phys.org/news/2026-08-doomscrolling-real.pdf. In 06. oct. 2026 ↩︎
  2. “O ser humano segue incessantemente em uma busca de novas sensações, muitas vezes empenhando grande esforço para experimentar tais sensações, intensas e quase sempre fugazes. Há vários comportamentos que se enquadram neste perfil, como esportes radicais, amores proibidos, jogatina, uso de drogas novas, etc”. (Piccineli, Ana Cláudia.Busca por sensações e comportamento de risco: uma resenha Elo: <https://cienciasecognicao.org/neuroemdebate/busca-sensacoes-comportamento-risco-resenha/&gt;. Em 08. out. 2026. Resenha do artigo- NORBURY, A.; HUSAIN, M. Sensation-seeking: Dopaminergic modulation and risk for psychopathology. Behav Brain Res, v. 288, p. 79-93, Jul 2015..) ↩︎

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2 respostas a “Vitória sobre o algorítimo”

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